A inspeção achou problema: pedir desconto, crédito, conserto — ou desistir
O relatório chegou com uma lista. A partir dela, quem compra pode renegociar o preço, pedir crédito no fechamento, exigir o conserto — ou desistir com o depósito de volta. O vendedor, pelo contrato, não é obrigado a aceitar nada.

O momento em que a balança pende para quem compra
Numa compra na California há um ponto em que o comprador ganha força — depois que o preço já foi combinado. É quando chega o relatório de inspeção. O que dá peso à conversa é a saída: sem acordo, o comprador pode cancelar durante a contingência e recuperar o depósito, porque o dinheiro está no escrow, não com o vendedor.
Os quatro caminhos
São quatro caminhos — e, quando a lista é longa, a combinação de conserto e crédito é o desfecho mais comum:
- Baixar o preço. Simples e direto — mas o dinheiro do conserto sai do seu bolso depois, e o desconto rende pouco dinheiro agora se você financia quase tudo.
- Pedir crédito no fechamento. O vendedor cobre parte dos custos que você pagaria na assinatura. É dinheiro disponível agora e costuma ser o caminho preferido de quem vai contratar a obra logo.
- Pedir o conserto antes da entrega. Faz sentido quando o item é indispensável para o financiamento ou o seguro. O risco: quem escolhe o empreiteiro e o padrão do serviço é o vendedor, que já está de saída.
- Desistir. Com a contingência de investigação ativa, o comprador sai do negócio e o depósito volta.
O pedido é um documento — e a resposta é opcional
O pedido tem formulário próprio, o Request for Repair, e o vendedor responde em outro. A parte que decepciona quem chega confiante demais: o vendedor não é obrigado a aceitar, nem a responder.
Isso muda a estratégia. Uma lista de quarenta itens, com maçaneta solta e ralo lento, sinaliza que o comprador quer reabrir o preço — e costuma receber silêncio. Uma lista de três itens caros, cada um com a linha do relatório, sinaliza um problema real a resolver.

Dois detalhes técnicos
- Assinar o acordo pode tirar a sua contingência. Ao aceitar a resposta do vendedor no formulário, a contingência de inspeção cai, e o que aparecer depois é seu.
- O banco pode limitar o crédito. Alguns financiamentos limitam ou proíbem crédito do vendedor, e certos reparos de habitabilidade têm que ser feitos, não compensados. Consulte o banco antes de escolher entre crédito e conserto.
Quando desistir é a decisão certa
Sinais de movimento do solo — porta que não fecha direito ou abre sozinha — são um motivo comum para desistir. A fundação é o item mais caro de uma casa, e o mais imprevisível: o orçamento do reparo estrutural costuma crescer quando a obra é aberta, e ainda pesa na revenda e no seguro.
- Negociável: telhado no fim da vida, aquecedor velho, elétrica antiga, linha de esgoto precisando de reparo. Caros, mas dá para orçar com precisão.
- Sinal amarelo: infiltração recorrente, mofo extenso, encanamento velho na casa toda. Tem solução, mas o custo real só aparece com o especialista.
- Sinal vermelho: movimento do solo, dano estrutural, obra sem licença que a prefeitura pode mandar desfazer.
Como entrar bem nessa conversa
- Faça orçamento antes de pedir. O número de um empreiteiro pesa mais do que uma estimativa.
- Priorize. Três itens caros valem mais do que trinta pequenos.
- Peça dentro do prazo. Fora da janela da contingência, você perde a força.
- Consulte o banco antes de fechar num crédito.
- Não use o relatório para refazer o preço do zero. Num mercado disputado, isso costuma terminar com o vendedor voltando para a segunda melhor oferta.
Este texto é informativo. Formulários e obrigações dependem da versão do contrato assinado e do que as partes negociam; siga a orientação do seu corretor.


